O segmento do Retalho, tem sido dos sectores mais afectados pela conjuntura económica, muito devido à dificuldade de financiamento bancário, que por sua vez leva ao impedimento do avanço de novos projectos e conclusão de outros em curso, e também à redução do consumo público e privado, bem como a retracção dos próprios retalhistas. Segundo dados da análise do Índice de Volumes de Negócios no Comércio a Retalho, assistiu-se a um decréscimo sucessivo nos últimos quatro anos, tendo-se atingido o valor mais baixo em Novembro de 2011, sobretudo em relação ao comércio de produtos não alimentares. Já o Indicador de Confiança do Consumidor tem vindo a decrescer no mesmo período, registando uma quebra acentuada no último ano.
A taxa de crescimento de ABL (Área Bruta Locável) em Portugal sofreu também um decréscimo nos últimos dois anos. Em 2010 e 2011 o aumento de stock ficou muito aquém da performance do mercado, com os valores mais baixos da última década, com um crescimento inferior a 5% nos dois anos. Em 2011, com a inauguração e reinauguração de cinco novas superfícies comerciais (o Aqua Portimão, o Fórum Sintra, o Évora Fórum Retail Park, o projecto Liberdade Street Fashion e o Sintra Retail Park), entraram no mercado 107.611m² de nova ABL, pelo que o stock total de ABL fixa-se assim em 3,6 milhões de m². Estima-se que a oferta futura ascenda a cerca de 317.000m² em 2012 e 2013, valor consideravelmente abaixo das estimativas passadas, fruto uma vez mais da forte contracção e dificuldade de alavancagem financeira de alguns promotores e igualmente de uma enorme incerteza destes face ao comportamento do consumo, com claros impactos na disponibilidade dos lojistas para ocupar novos espaços.
No que diz respeito aos Valores de Mercado, a perda de confiança por parte dos consumidores, o aumento do desemprego e da carga fiscal têm tido um elevado impacte ao nível da performance do mercado de retalho em geral. O abrandamento da procura coloca alguns retalhistas em dificuldades, existindo assim uma maior partilha de risco com os promotores e maior flexibilidade nos valores de renda. As superfícies comerciais continuam a registar alguma estabilidade ao nível de rendas, já as secundárias enfrentam algumas dificuldades, nomeadamente uma revisão em baixa do valor das rendas, na ordem dos 20%, ou passagem de renda fixa para variável sobretudo nas lojas âncora, tal como ocorria em 2010. Esta revisão de rendas é suportada por uma maior duração dos contratos, com as rendas contratuais relativamente estáveis, embora os promotores concedam descontos anuais por períodos de tempo pré-definidos, de forma a não prejudicar a rentabilidade futura das superfícies comerciais num cenário de retoma económica. Quanto ao comércio de rua, este apresenta uma estabilidade nos valores de arrendamento, com valores elevados nas artérias mais atractivas, existindo assim registos pontuais de crescimento em imóveis muito específicos.
Tendências
Actualmente as previsões da evolução do mercado de retalho não são favoráveis por causa das medidas de austeridade e do aumento do crescimento de desemprego, reflectindo-se deste modo na capacidade de consumo de famílias. A dificuldade de financiamento de novos projectos e conclusão de outros em curso, colocam os promotores numa situação difícil, que não se acredita que venha a ser contrariada a curto prazo, acabando por resultar no adiamento da abertura de novos projectos. Prevê-se a manutenção da atractividade do comércio local, dos níveis de procura por localizações prime e da escassez da oferta de espaços adequados aos requisitos de uma procura qualificada. Acredita-se que a renovação e reposicionamento das superfícies comerciais mais antigas sejam a melhor aposta neste mercado, tendo em conta que permite a criação de valor e a minimização do risco associado a estas operações face ao da construção de novas superfícies comerciais.